Família: santidade familiar

Família é tudo igual e só muda o endereço?

Se toda família for igual a minha, então não existe ninguém feliz nessa vida.

Tô fazendo esse drama todo pra ver se dá tempo de você desistir de ler essa crônica e ir fazer alguma coisa mais proveitosa.

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Você ainda tá aí?

Vai ler assim mesmo?

Bom, é por sua conta e risco.

Depois não diga que não avisei.

Família: santidade familiar

Que atire a primeira pedra a pessoa que tem a família perfeita, sem ficha criminal, defeito de caráter ou, pelo menos, não tenha nenhum parente chato.

Vou logo avisando que na minha família tem tudo isso [e coisas bem piores]!

Nosso balaio da falsa convivência amistosa vive lotado de histórias cabeludas do passado, presente e futuro.

Até nossas crianças são iguais aos adultos: não valem nada!

Elas cometem seus delitos como pupilos que seguem os passos e ensinamentos de seus mestres, verdadeiras candidatas a internos da antiga Febem com ascendente no finado Presídio de Bangu.

Ah! Os indesejados abraços de fim de ano, as brigas nos grupos de Whatsapp, as visitas inconvenientes, as traições rotineiras, as fofocas dissimuladas e tantas outras ações maliciosas.

Que maravilha!!!

E não esqueça daqueles parentes que parecem ter feito curso intensivo de maldade com o próprio demônio.

Falando nisso, já reparou que o diabo não tem família?

Nem o “coisa ruim” quer conta com esse troço, gente!

O principal motivo [com toda certeza] é que as pessoas não prestam!

Quer ver?

Foi só eu falar que estou trabalhando com arte que um certo parente disse que isso é coisa de vagabundo.

Nem quero imaginar quando o infeliz descobrir que eu faço arte contemporânea, aí é que ele vai fazer questão de vomitar ainda mais fezes pela boca.

Falar de família é falar de amor, companheirismo, maternidade e fraternidade, união e afeto, mas é também falar de como a gente é obrigado a esquecer ou abrir mão de tudo isso, por causa do comportamento de determinadas pessoas.

Claro que eu e você que está lendo [óbvio ], somos os inocentes e santos das nossas famílias, aqueles trastes lá, desalmados e merecedores do inferno, é que não podem sequer ser chamados de seres humanos.

Tem gente que compartilha do nosso sangue, mas que não se envergonha em elaborar intrigas contra nós, só pra gerar discórdia e brigas.

Um tio meu… opa! Melhor não contar essa porque pode dar cadeia.

Deixa eu ver… Teve aquela vez que meu irmão mexeu com a mulher de um traficante e… melhor não contar essa também porque quem pode morrer sou eu.

Ah! Lembrei uma que posso contar sem medo.

Uma vez uma prima minha deu com a cabeça na estante da casa da minha mãe segundos depois de eu dizer a ela que o videogame desligava quando o móvel sacudia.

Enquanto colocava gelo no local do impacto, você acredita que a desgraçada ainda teve a coragem de me olhar sorrindo de satisfação por ter conseguido desligar o aparelho?

Eu não sou assim e não sei de onde esse povo tira tanta maldade.

Apesar de ser o ÚNICO santo da minha família, certa vez furei a cabeça da minha irmã mais nova com um palito de dentes, mas fiz isso porque ela fez minha mãe me colocar de castigo só pra poder deitar no lençol que eu tinha colocado no chão pra dormir.

Um dia ainda vou pintar um quadro dessa minha irmã morrendo numa força com metade do corpo dentro d’água, onde piranhas assassinas devoram ferozmente sua carne!

Pode não parecer, mas amo meus irmãos!

Acho que uma família com irmãos que não brigam não pode ser uma família feliz!

Tem que brigar, pegar as coisas uns dos outros sem permissão, medir o pão quando os pais obrigam a dividir [e ficar com o pedaço maior] colocar chiclete no cabelo, “trançar no murro” por causa do controle remoto da tv, fazer vergonha na escola e por aí vai.

Se você não fez nenhuma dessas coisas, então você não sabe o que é bom!

Não existe nada que supere a alegria gerada pelo constrangimento de um irmão devido aos nossos atos hediondos.

No meu tempo, a parte chata era apanhar, porque os pais batiam sem dó, usando cinto, sandálias voadoras, galhas de árvore [que a gente mesmo era obrigado a arrancar], palmadas, cabo de vassoura e tudo mais!

A gurizada de hoje não sabe o que é “ir dormir com o couro quente”!

Meus filhos enchem os olhos de lágrimas só de eu aumentar o tom de voz.

Para aqueles que não têm família, aconselho que ergam as mãos pro céu e agradeçam a Deus por esse livramento.

Aos pobres infelizes como eu, que tiveram a má sorte de crescer rodeados da mais falsa e vil parentela, desejo que encontrem formas não criminais de se vingarem e que façam terapia [sério].

Outro conselho que deixo é que sejam humildes e se olhem no espelho antes de falar dos outros.

Subir num pedestal e criticar o comportamento alheio não é sinal de amadurecimento e muito menos de amor ao próximo.

Sei que às vezes sua língua coça pra dizer umas verdades a certos parentes e que você faz o que pode pra segurar, mas lembre-se que engolir veneno não é bom pra saúde.

Também não seja sincero demais, se não você vai acabar sozinho [não que isso seja de todo ruim].

Bom, acabou de chegar um parente (in) desejado aqui em casa, então preciso parar por aqui e ir fingir que gosto dele e que estava sentindo saudades e blá, blá, blá.

Mesmo com toda minha santidade, às vezes oro pra que Deus nunca me dê o que mereço, pra que Ele me abençoe [mesmo sem merecimento] e me livre do mal [família]. Amém!

Já reparou que Deus também não tem família?!

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Use toda a sua falsidade familiar e deixe um comentário, se não eu conto seus segredos pro seu parente mais linguarudo!

Ou será que é você que comanda a fofoca da família?

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